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Against all the odds… 2/04/06

Posted by Calsavara in Comportamento, Cotidiano, Crônicas.
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Hoje eu fui prestar um concurso do IBGE na vizinha (mas não tanto) cidade de Arapongas. Técnico 1-I, o nome da vaga. As atribuições estão no edital, e eu estou com preguiça de ir lá buscar. O importante é que é uma vaga com estabilidade, benefícios e tudo o mais.

Uma microprova, numa visão microcósmica da situação do país. Eram duas vagas. Aproximadamente 3 mil inscritos. Desenterrando os últimos neurônios que sobraram depois do véio Ulysses, divide concorrentes por vaga, noves fora: cerca de 1.500 concorrentes por vaga!!!

Ali tinha toda a sorte de pessoas. Universitários recém-chegados, alguns formados, outros provavelmente querendo mudar de emprego, desempregados tentando uma chance de se estabilizar… A 1.500/vaga!!!

Quais as minhas chances? Ué, as mesmas que as de todo mundo!!! Quer dizer, maiores um pouco do que a de alguns, que nem foram fazer a prova.

Ao sair, fui de táxi até a rodoviária. Comentei com o motorista sobre a concorrência e ele caiu no riso. "Qual é a probabilidade de você passar nessa prova?", ele perguntou. O que eu respondi?

"As propabilidades que eu tenho de passar em um concurso que eu não faço são zero. Então, neste, pelo menos eu tenho alguma chance". Mas ele continuou: "mas são pequenas. Mil e quinhentos por vaga… Mais fácil ganhar na Mega-Sena". "Ué, mas se são duas vagas a serem preenchidas, duas dessas pessoas que estavam lá prestando o concurso terão que ocupá-las. Por que não eu?", respondi.

Daí me peguei pensando nas possibilidades que se apresentam todos os dias, para cada um de nós. É interessante.

Quais foram as probabilidades de você nascer. É, você! Quantos espermatozóides estavam na disputa para fecundar o óvulo? Sim, porque se fosse outro o gameta a participar da fecundação, já não seria mais você, não é mesmo? Isso sem falar nos outros tantos fatores envolvidos no processo da gestação. Quão improvável isso é?

No esporte: lembra da fase final do Brasileirão – Série B de 2005? Grêmio e Náutico? Até postei sobre isso no meu antigo blog. Para quem não lembra, os dois disputavam uma vaga para a primeira divisão. Aos 35 do segundo tempo, pênalti para o Náutico. Pela combinação dos resultados, caso o alvi-rubro marcasse o gol, a segundona era o destino certo do Grêmio. Comentei com o meu companheiro de república, o Gonzo, gremista, que o jogador do Náutico iria errar a cobrança e o Grêmio marcaria no contra-ataque. "O quão improvável isso é?", ele me perguntou. O resultado mostrou que, contra todas as possibilidades, os gaúchos venceram o jogo, marcando um gol no contra-ataque do pênalti perdido.

Outro exemplo. Imagine um garoto de 17 anos, autista, que só começou a falar aos 6 anos de idade. Com 1,67m de altura, tinha o sonho de ser jogador de basquete. Por sua dedicação ao esporte, o técnico do time do colégio convocou-o como auxiliar técnico. Como presente de formatura, o treinador decidiu colocá-lo para jogar no final do último jogo do campeonato. Os dois primeiros arremessos não deram nem aro. Qual a probabilidade desse garoto decidir o jogo e virar herói? Bom, o nome dele Jason McElwain, ou J. Mac (como o apelidou o presidente George W. Bush), e você pode conferir o final dessa história aqui.

Falando por mim agora, qual seria a possibilidade de eu viajar de avião pela primeira vez de graça, custeado pela empresa onde trabalhava, para ministrar um treinamento de um serviço que eu fazia há apenas 7 meses, a mais de 3 mil quilômetros de casa?

Qual a probabilidade de eu sair de Guarapuava, cidade onde estava estabilizado (sentimental e financeiramente), prestes a me formar, para voltar para Londrina fazer faculdade numa turma que seria a dos meus calouros (se eu não tivesse ido para Guarapuava), e que em ambos os lugares eu tenha encontrado pessoas que quero que façam parte para sempre da minha vida?

E a mais absruda de todas: qual a possibilidade de você, que tem tantas coisas mais importantes na vida a fazer, estar aqui, prestigiando este espaço e lendo este texto?

Então, quando alguém vier lhe jogar na cara que as possibilidades e as probabilidades de que algo que você quer que aconteça são pequenas, lembre-se de todas as coisas que acontecem na sua vida, mesmo contra todas as probabilidades. Pense nas probabilidades como um valor estatístico, e não como uma barreira intransponível. Se assim fosse, a melhor das chances, 50%, seria completamente desestimulante, já que há a possibilidade de que a cada dois eventos, um deles não lhe seja favorável.

Agora eu quero ouvir você. Quais foram as coisas mais improváveis que já lhe aconteceram? Comente!!!

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Comentários»

1. Emerson Araújo - 7/04/06

É, meu velho, voltar a estudar depois dos 30, cursando jornalismo na UEL, ao lado de tanta gente que ainda nem era nascida na saudosa copa de 1978, quando Cláudio Coutinho deu ao Brasil o título de “campeão moral”, era uma dessas coisas bem improváveis, só previsível pela minha inquietude, que resolveu manifestar-se, mesmo que tardiamente.

2. Paulo Matozo - 8/04/06

Qual a probabilidade de vc ter uma namorada gata e num sabado a tarde preferir jogar futebol com 21 milicos no clube dos milicos? (aquele mesmo em q certa feita cartiamos uma sinuca) Qual a probabilidade de, em meio ao calor do jogo, sobrar uma bola la na ponta direita, pingandinho, gritando “me chuta, me chuta”, e ninguem dos 22 caboco se interessar por tal procedimento. Ninguem dos 22 nao. Eu me interessei. Detalhe, estava eu na meia esquerda do meu campo de defesa. Corri como nunca, realizei em meu pensamento a personificação de forrest gump, ao passo q a musica do sucrilhos (aquele de “entrar pro time do Tony”) me motivava a cada verso q eu executava mentalmente.
As quicadas dela diminuiam, num ritmo inversamente proporcional à minha vontade de pregá a bicuda na pelota. O tempo pareceu congelar no que invadi a zona do agrião. A zaga olhava aquele moleque que encarnara The Flash, pasma, e a trilha do cereal dava lugar à Carmina Burana. Lembro-me de olhar a bola, cuja circunferência, naquele meu angulo privilegiado de visão, ocasionava um eclipse, em plenas 16 h daquele fatidico sabado.
À medida q a bola descia, engatilhei a destra numa tentativa de finalização e talvez, mudança de escore. Num pentelhésimo de segundo fechei os olhos e centrei todas as minhas forças na velha Umbro branca nº41. Consegue realizar? Qual a probabilidade de um golaço surgir ali? Grande? Não pra mim. Um zagueirão, repito, zagueirão, fez questão de riscar o LP da Carmina e mandar o Tony pro inferno. Veio num carrinho, frontal, violento, porque não criminoso, que de carrinho não tinha nada. Devia se chamar FNM.
Não vi o golpe sendo armado pq minha atenção voltava-se pra ela, a bola. Qual a probabilidade de eu ser atingido pelo cara? Graúda.
Eis q atinjo com sucesso a bola, que por sua vez, atinge com sucesso as pernas do zagueirão, que atingiu com sucesso a mim, a bola, e arou um bom trecho daquele campo.
Lembro-me de ouvir um TUM logo que caí, som este oriundo da quicada que minha cabeça deu no gramado. Lembro-me também de cair de ombro e sentir-me muito desconfortável depois de levantar-me. Qual a probabilidade de ser marcada uma falta neste lance? nenhuma. Não no meu caso.
Qndo esperava a bola pra bater a falta, ao levantar, vi todos os 21 caras em campo correndo atrás da pelota, lá, lá longe, lá na minha área de defesa.
Qual a probabilidade de eu ter que operar a clavícula, quebrada, digo, regaçada, colocar uma placa de platina e 6 parafusos? Total.
Diretamente proporcional a probabilidade de eu não obter sucesso ao tentar adentrar um Banco.

3. Paty - 9/11/06

gostei….. bem bacana seu texto….


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